O sistema PACS (Picture Archiving Communication and Systems) representou um avanço para a radiologia a partir da década de 1990. A tecnologia está cada vez mais consolidada nos centros de imagens, permitindo desde redução de custos até maior produtividade da equipe. Este texto traz tudo o que você precisa saber sobre PACS: benefícios do sistema, como implementar, cuidados que deve ter, como encontrar o sistema certo e muito mais.

O que é PACS?

PACS é um sistema de armazenamento e comunicação de imagens. Funciona basicamente como um banco de dados de exames, que armazena imagens em formato DICOM, eliminando a necessidade de arquivar e transportar filmes radiológicos manualmente.

Digital Imaging and Communications in Medicine (DICOM) – é o formato-padrão internacional para arquivos de imagens médicas e informações relacionadas, tais como: dados clínicos e informações do paciente. Este formato é reconhecido pela ISO (International Organization for Standardization), tal como a norma ISO 12052.

Desde sua primeira publicação em 1993, o DICOM revolucionou a prática da radiologia, permitindo a substituição do filme de Raios X por um fluxo de trabalho totalmente digital.

Equipamentos como Ressonância Magnética, Tomografia Computadorizada, entre outros, capturam as imagens dos exames e processam as informações dos pacientes em formato DICOM, arquivando o conteúdo em um banco de dados do tipo PACS.

O PACS foi desenvolvido com o objetivo de facilitar os processos dentro dos centros de imagens, tanto para o gestor quanto para a equipe médica. O sistema armazena exames de forma rápida, otimizando o acesso das imagens a partir de um visualizador DICOM.

Além disso, o sistema PACS é compatível com exames de tomografia, ressonância magnética, raio-x, mamografia, cintilografia, tomografia por emissão de pósitrons (PET), densitometria óssea, ultrassom, entre outros, desde que as imagens dos exames estejam em formato DICOM.

Pelo fato das imagens dos exames estarem armazenadas em meio eletrônico, o PACS oferece a possibilidade de configurar dispositivos externos (conhecidos como “nó DICOM”) para que os exames possam ser enviados a estações de trabalho (“workstations”) ou outros servidores PACS (empresa de telerradiologia, por exemplo). Alguns modelos permitem essa transferência de dados de forma segura,  com a aplicação de uma camada de criptografia na conexão.

Benefícios de utilizar um PACS

Um sistema PACS impacta positivamente na eficiência de centros de imagem e na evolução da Telerradiologia. São benefícios da adoção do sistema:

  • Redução do tempo da entrega de laudos;
  • Diminuição do risco de perda das imagens dos exames, pois o armazenamento é em meio digital;
  • Redução do número de imagens duplicadas;
  • Maior capacidade de armazenamento;
  • Redução de custos e proteção ao meio ambiente, pois possibilita integração com RIS, disponibilizando as imagens pela internet e reduzindo assim a impressão em filme;
  • Padronização dos processos;
  • Maior qualidade e eficiência de processos e fluxos de trabalho;
  • Maior produtividade da equipe médica;
  • Maior segurança no armazenamento de dados;
  • Integração com dispositivos externos, como visualizadores DICOM avançados, “workstations”, modalidades, e outros PACS (recebimento e envio de imagens DICOM com funções automática, manual ou “Query & Retrieve”);
  • Redução do risco de erros no diagnóstico, quando o PACS oferece visualizador DICOM integrado ao editor de laudos.

Alguns PACS possuem funcionalidades avançadas, que podem auxiliar o seu centro de imagem. As principais são:

  • Integração com RIS;
  • Integração com DICOM worklist de equipamentos;
  • Gestão do fluxo de trabalho;
  • Priorização de exames através de indicadores personalizáveis;
  • Interface web para fácil acesso de qualquer computador;
  • Criação de listas de trabalho personalizadas;
  • Envio de notificações aos usuários quando um estudo se enquadre em algum critério (Ex.: exame com achado crítico que precisa de ação rápida);
  • Acesso remoto a imagens e laudos.

Além do PACS, há outros fatores que influenciam o ganho de eficiência em centros de diagnóstico. Descubra acessando este estudo completo, clicando aqui!

Etapas da implementação do PACS em um centro de imagem

Podemos dividir a implementação do PACS em quatro etapas principais, dependendo do fornecedor e do modelo de sistema que será instalado:

  • Planejamento e contratação do sistema:

Pesquisa e escolha do fornecedor de PACS que ofereça a melhor solução para o negócio. Existe uma diversidade imensa de sistemas PACS no mercado, desde soluções simples e baratas (várias “open source”), que cumprem apenas com as funções básicas de transmissão e armazenamento de imagens de baixa robustez, até sistemas mais avançados, com funcionalidades RIS, com capacidade de processamento de mais de 100 mil estudos mês em um único servidor.

  • Instalação do sistema no centro de imagem:

A instalação de um sistema PACS vai depender muito do fornecedor. No geral, ocorre um agendamento prévio da instalação e, após a visita do fornecedor, em um ou dois dias, a instalação em geral é finalizada. As empresas especializadas em PACS têm cada vez mais utilizado ferramentas de virtualização (o PACS é instalado numa máquina virtual no fornecedor e simplesmente transferido para o servidor local do centro de imagem), o que tem otimizado muito esta etapa do processo.

  • Parametrização: definição de parâmetros e padrões no sistema:

Umas das etapas mais importantes do processo. É nesse momento que o PACS será configurado para receber as imagens automaticamente das modalidades, além de ser realizada a criação e configuração de todos os usuários do sistema e suas personalizações, configuração dos nós DICOMs, acesso remoto, personalização do modelo de laudo (cabeçalho/rodapé dos laudos) etc. Quanto mais avançado o PACS, maior a demanda de trabalho. Por isso, recomenda-se investir bastante tempo nesta etapa para evitar dor de cabeça no futuro.

  • Migração dos dados de sistemas anteriores utilizados no centro de imagem:

Caso a instalação seja uma substituição, deve-e tomar muito cuidado com essa etapa. Todos os dados relevantes do sistema anterior, como usuários, imagens de exames, resultados/laudos, dados clínicos de pacientes, entre outros devem ser apropriadamente transferidos do sistema antigo para o novo.

  • Testes e treinamento de equipe:

É essencial que a equipe receba um treinamento adequado do sistema PACS adquirido, tanto para utilização quanto para identificação de possível mal funcionamento. É prudente também que o sistema recém instalado seja testado por algumas semanas, junto à equipe recém treinada, até do início da fase de produção com alto volume.

  • Kickoff: início oficial da utilização do PACS no centro de imagem.

Como saber se estou contratando um bom sistema PACS?

Existem diversas empresas e fornecedores que disponibilizam sistemas do tipo PACS. Há diferenças em termos de funcionalidades, interface, hospedagem e outras características.

Mas como certificar-se de que sua empresa está fazendo um bom negócio? Para auxiliar na escolha do sistema, algumas características devem ser observadas:

  • No Brasil, a empresa que comercializa o sistema deverá apresentar o número de registro da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), assim o sistema é considerado seguro e adequado às normas nacionais.
  • Visualizador de imagem integrado robusto: certifique-se de que o sistema PACS que você está contratando possui visualizador de imagem integrado. Essa funcionalidade é essencial, pois não adianta armazenar imagens de exames se não for possível acessá-las para análise de modo integrado. Visualizadores DICOM externos não integrados podem gerar riscos em erros diagnósticos (o radiologista pode abrir as imagens de um paciente e emitir o laudo no estudo de outro paciente – uma falha gravíssima).
  • Segurança de dados: tenha certeza de que o sistema possibilita o acesso seguro e criptografado para os usuários tanto localmente quanto remotamente. Além disso, verifique se o PACS possibilita a transferência de imagens para terceiros com criptografia (Ex.: TLS).
  • Capacidade de integração com software de terceiros: informe-se se o sistema a ser contratado possibilita integração HL7 com outros sistemas, como RIS, HIS e EMR. Dessa forma, se optar por adotar sistemas complementares, haverá a possibilidade de integração.

Antes de contratar um PACS, não esqueça de se informar sobre os custos cobrados para integração com terceiros. Este é um fator importante muitas vezes esquecido na negociação inicial com o fornecedor do PACS. Uma vez adquirido e instalado, é difícil e penoso a mudança de sistema. Sabendo disso, algumas empresas podem se aproveitar e cobrar altos valores para trabalhar numa integração com software de terceiro, podendo até a inviabilizar o projeto.

  • Funcionalidades adicionais: quanto mais funcionalidades o PACS possuir, melhor para a eficiência da empresa. As principais são:
    • Visualizador DICOM e editor de laudo integrados;
    • Visualizador DICOM com reconstrução 3D e MIP;
    • Editor de laudo com máscaras de laudo, possibilidade de emissão de imagens-chave, corretor ortográfico integrado e reconhecimento de voz;
    • Customização de layouts de laudo (logotipo e dados de contato no cabeçalho e rodapé);
    • Gestão de fluxo de trabalho;
    • Criação de listas de trabalho personalizadas;
    • Interface de usuário web;
    • Notificações por email e SMS personalizáveis;
    • Funcionalidades encontradas em sistemas RIS que trazem benefícios para os profissionais de medicina e de gestão.

Integração RIS e PACS

Além do PACS, outro sistema importante que auxilia nos processos dentro do centro de imagem é o RIS. Este sistema gerencia o fluxo de pacientes e o fluxo de trabalho dentro de um centro de imagem. Alguns PACS possuem, além de suas funcionalidades padrão, funcionalidades de RIS.

O RIS  possibilita gerenciar os principais processos  de de um centro de imagem, desde o agendamento do exame, admissão do paciente até a entrega do resultado  diagnóstico ao paciente e médico solicitante. Possibilita também a criação de relatórios gerenciais e gestão financeira. O PACS armazena as imagens e auxilia na hora de laudar os exames. Dependendo do tamanho da sua empresa e das suas necessidades, é importante integrar ambos  para obter melhores resultados.

Entre as vantagens de integrar RIS e PACS estão:

  • Redução do tempo médio de diagnóstico e da entrega de resultados;
  • Facilidade na distribuição de imagens e resultados diagnósticos;
  • Diminuição na perda de informações, por parte do paciente;
  • Redução do número de diagnósticos repetidos;
  • Fim da necessidade de digitar as informações do paciente para que estejam disponíveis no sistema;
  • Otimização de tempo e melhora no fluxo de trabalho;
  • Melhora o programa de treinamento para residentes.

Para realizar a integração, entretanto, é preciso planejamento por parte da instituição. A implantação dos sistemas gera impacto financeiro que necessita ser avaliado, incluindo manutenção de computadores viáveis para seu funcionamento.

Como saber se o meu centro de imagem precisa de RIS ou de PACS?

Para entender qual sistema trará mais benefícios para sua empresa, é necessário realizar uma avaliação detalhada, passando por gestores e por todos os outros funcionários.

Por parte dos gestores, entende-se a necessidade de analisar o impacto financeiro da implantação e manutenção dos sistemas, além de saber como o fluxo de trabalho funciona dentro da empresa e o que precisa ser melhorado e mantido. Cabe aos funcionários – médicos, técnicos e recepcionistas, por exemplo – trazer a visão do dia a dia do centro de imagem, apresentando os pontos que podem ser melhorados com o RIS, com o PACS ou com a integração dos dois sistemas.

A contribuição de todos é essencial para decidir qual sistema trará mais benefícios. Assim, é possível evitar alguns problemas e prever outros.

Se a necessidade principal do centro de imagem for organizar rotinas e fluxo de trabalho, otimizar processos e controlar o faturamento, ou seja, ter uma visão holística para identificar eficiências e falhas dos processos, a melhor opção é implantar um RIS.

Já o PACS, por ser um sistema relativamente simples e barato (em versões mais básicas), é quase imprescindível para centros de imagens na atualidade. Além disso, ele garante o atendimento às normas de armazenamento de imagens de acordo com resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina).

Caso a empresa sinta necessidade de uma entrega mais completa, unindo a organização dos processos de trabalho com o armazenamento seguro de imagens, recomenda-se a utilização de ambos de forma integrada. O procedimento recomendado é adquirir ambas as soluções do mesmo fornecedor, garantindo assim uma integração e funcionamento harmonioso. De qualquer modo, caso opte por utilizar sistemas de fornecedores diferentes, lembre-se de garantir que os sistemas sejam compatíveis um com o outro e de negociar valores de integração com software de terceiros previamente.

Cuidados que devo ter com o sistema PACS

Assim como todos os produtos tecnológicos, o sistema PACS está sujeito a mudanças, como atualização de sistema e outros detalhes que devem ser considerados na hora da implantação do software. É essencial que todos os profissionais da equipe recebam o devido treinamento e capacitação para utilizá-lo da forma correta.

No caso de instalações em nuvem, a conexão à internet precisa ser de alta banda e estabilidade para suportar o volume de dados transmitidos.

Lembre-se: além do PACS, os equipamentos também devem receber cuidado especial, e qualquer problema deve ser notificado imediatamente para que seja possível controlar potenciais danos.