De acordo com três estudos apresentados no RSNA 2016, é possível identificar padrões comuns em imagens de recém-nascidos com microcefalia associada ao vírus Zika, bem como em adultos com quadro neurológico relacionado à essa infecção.

No primeiro estudo, pesquisadores brasileiros do Hospital Barão de Lucena (Recife – PE) analisaram achados do sistema nervoso central de 14 bebês recém-nascidos (9 do sexo masculino e 5 do feminino) com infecção congênita pelo vírus Zika confirmada através de análise do líquor. A idade gestacional ao nascimento deles variava entre 31 e 40 semanas, o peso no momento do nascimento entre 810 a 3840 gramas e a circunferência cefálica entre 23 e 33 centímetros.

Os pesquisadores verificaram que todos os recém-nascidos possuíam calcificação no sistema nervoso central, sendo puntiforme em 8 (57,1%) deles e grosseiras nos demais. 13 (92, 8%) possuíam calcificação na junção corticomedular, 3 (21,4%) no tálamo e 1 (7,1%) no mesencéfalo. Quando havia calcificações corticomedulares, elas estavam presentes no lobo frontal (92,8%), nos lobos parietais (78,5%), no lobo occipital (35,7%) e nos lobos temporais (28,5%).  Paquigiria foi observada em 11 (78,5%) dos casos. Em 13 (92,8%), foi observado ventriculomegalia. Hipoplasia cerebelar estava presente em 4 pacientes (28,5%). Além disso, em 9 pacientes (64,2%), foi identificada proeminência do osso occipital.

star zika virus

Segundo a pesquisadora Natacha Calheiros de Lima Petribu, do Hospital Barão de Lucena, o estudo indicou que infecções pelo vírus Zika podem causar danos cerebrais a fetos durante a gestação, com ou sem microcefalia associada.

Um segundo estudo apresentado na RSNA foi uma análise prospectiva de 7 pacientes grávidas infectadas pelo vírus Zika em diferentes estágios da gestação. Foi realizado por Bianca Guedes Ribeiro e colaboradores do Departamento de Radiologia da Clínica de Diagnóstico por Imagem do Rio de Janeiro. No estudo, as gestantes foram submetidas a exames de ultrassonografia e RM fetal. Após o parto, os recém-nascidos foram submetidos a exames de ultrassom transfontanelar, TC e RM, com reconstrução tridimensional da calota craniana.

Os resultados apontaram que 4 recém-nascidos apresentavam anormalidades cerebrais associadas a microcefalia. Em todos os 4 casos observou-se: calcificações com distribuição cortical e principalmente subcortical, disgenesia do corpo caloso e adelgaçamento significativo do parênquima cerebral. Distúrbios de migração neuronal foram observados em 3 casos. O cerebelo foi afetado em apenas 1 caso, enquanto o tronco encefálico não foi afetado em nenhum dos casos.

Um terceiro estudo analisou imagens de três grupos diferentes afetados pelo Zika: adultos que desenvolveram síndrome neurológica aguda, recém-nascidos com infecção vertical com distúrbios neurológicos, e mulheres grávidas com alterações cutâneas sugestivas de Zika.

Cristina A. Fontes e colegas do Departamento de Radiologia do Hospital Universitário Antônio Pedro (Universidade Federal Fluminense) verificaram que a maioria dos adultos apresentaram sintomas de síndrome de Guillain-Barré e variantes, e somente alguns apresentaram encefalomielite. O achado de imagem mais comum foi realce das raízes nervosas lombares, seguido por realce dos gânglios dorsais lombares e realce dos nervos faciais. Outros achados encontrados foram lesão com hipersinal em T2/FLAIR no tronco encefálico e na medula espinhal, e realce dos nervos trigêmeos. Em recém-nascidos, exames de RM apontaram alterações no parênquima cerebral e lesões orbitárias. Houve uma boa correlação entre os sintomas e os achados das imagens.

As conclusões desses estudos apontam para a potencial utilidade dos exames de imagem no diagnóstico de lesões neurais associadas à infecção pelo vírus Zika.

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