Ao contrário do que os números podem sugerir, uma ressonância magnética (RM) de 3 Tesla não é duas vezes melhor que uma de 1.5 Tesla. Essa comparação é verdadeira em relação à intensidade do campo magnético, entretanto o mesmo não se aplica à qualidade da imagem ou ao potencial de retorno financeiro do seu centro diagnóstico.

Assim, se você está pensando em comprar um equipamento de RM, é importante entender as vantagens e limitações de cada um deles antes de gastar quase o dobro do valor em um sistema de 3 Tesla.

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Relação Sinal-Ruído (SNR – Signal to Noise Ratio)

Como se sabe, quanto menos ruído em uma aquisição melhor será a qualidade da imagem. O problema é que todo escaneamento traz algum grau de ruído, normalmente originado do corpo do paciente ou dos próprios componentes eletrônicos do equipamento. Então, para melhorar a qualidade da imagem os fabricantes desenvolveram tecnologias que possibilitam aumentar a relação entre sinal e ruído (SNR) na composição das imagens adquiridas.

Enquanto os aparelhos de 3,0T atuam sobre a variável “sinal” da equação para originar mais sinal do que ruído, os equipamentos de 1,5T se utilizam de sistemas próprios (por exemplo, bobinas multicanais com arranjo de fase) para reduzir o nível de ruído gerado enquanto o sinal permanece relativamente constante.

Por que isso é importante? Porque a relação SNR é bastante superior em equipamentos de 3,0T (fala-se de ganhos entre 30% e 100%), proporcionando em comparação com os de 1,5T:

  • Imagens de melhor qualidade;
  • Menor tempo de exame para aquisição de imagens de qualidade semelhante.

Velocidade de Escaneamento x Qualidade da Imagem

Exames de RM são resultado da contraposição entre velocidade de escaneamento e qualidade de imagem. Escaneamentos mais rápidos não proporcionam resolução espacial tão detalhada quanto àquelas obtidas em exames mais demorados, ao passo que escaneamentos mais demorados podem comprometer o fluxo de atendimento em seu centro diagnóstico.

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Foto: aparelho de ressonância magnética Siemens Allegra 3.0T

Por esse motivo é comum que instituições de saúde busquem um equipamento de RM de 3,0T como uma solução a esse dilema: melhor qualidade de imagem com um tempo de escaneamento similar ao que se teria em aparelhos de 1,5T.

Evidentemente, é possível obter imagens de alta qualidade em equipamentos de 1,5T, mas o tempo de escaneamento será maior que o de um 3,0T. Também é possível reduzir o tempo de escaneamento em uma RM de 1,5T, mas a perda de qualidade de imagem será superior a que se teria em um equipamento de 3,0T.

No final, tudo dependerá dos tipos de exame que seu centro diagnóstico está buscando realizar.


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Para quais tipos de exames os equipamentos de 3,0T são melhores?

Essa relação provavelmente mudará com a evolução da tecnologia. De todo modo, listamos abaixo alguns dos exames que, hoje, proporcionam vantagens significativas quando realizados em RM de 3,0T:

  1. Estudos de Próstata: em razão do pequeno tamanho da glândula prostática, exames de RM de próstata em equipamentos de 1,5T requerem o uso de bobinas endorretais – obviamente, desconfortáveis para o paciente e para a própria equipe do centro diagnóstico. A melhor relação SNR de sistemas de 3,0T possibilitam que a imagem da próstata seja adquirida com uma bobina de superfície externa.
  1. Espectroscopia: estudos de espectroscopia não produzem imagens propriamente ditas, mas avaliam a quantidade de certos químicos nos tecidos. A aplicação mais comum é a identificação de lesões cerebrais e avaliação de resposta a tratamento (embora algumas técnicas tenham sido desenvolvidas para uso em mama e próstata). Como o sinal dos compostos químicos avaliados tem intensidade baixa, os sistemas de 3,0T melhoram de forma considerável o diagnóstico nesses estudos.
  2. fMRI: imagem de ressonância magnética funcional (do inglês, fMRI – Functional Magnetic Ressonance Imaging) é uma técnica utilizada para avaliar áreas do cérebro responsáveis por diversas funções (fala, audição, coordenação motora, etc.). Quando o paciente realiza alguma atividade (por exemplo, mover um dedo), a área do cérebro que controla tal atividade irá experimentar um pequeno aumento no fluxo sanguíneo. Isso resultará em uma pequena alteração no campo magnético local e, portanto, no sinal da RM. O nível da alteração é de apenas 1 a 2% em aparelhos de RM de 1,5T, mas aumenta para aproximadamente 4% em equipamentos com 3T, facilitando sua detecção e interpretação.
  1. Arterial Spin Labeling (ASL): é uma técnica de RM que avalia o fluxo sanguíneo cerebral através do uso de pulsos de radiofrequência que “marcam” os prótons do sangue que flui para o cérebro. Embora a eficácia do ASL tenha sido demonstrada em sistemas com 1,5T, a baixa relação SNR é apresentada com uma importante limitação. Há estudos em campos maiores que demonstram uma eficácia diagnóstica bastante superior.
  1. Vascular: a resolução espacial superior dos sistemas com equipamentos de RM com 3,0T proporcionam a aquisição de imagens vasculares de alta qualidade. Com isso, estudos angiográficos realizados nesses sistemas podem dispensar a necessidade de realização de procedimentos diagnósticos intervencionistas com cateteres.

Em geral, uma RM de 3,0T proporciona um diagnóstico mais efetivo em exames de neurorradiologia e radiologia musculoesquelética (esta não abordada acima).

Caso tenha interesse no tema, há diversos estudos científicos na internet comparando a qualidade diagnóstica entre sistemas de 1,5T e 3,0T. Neste link, por exemplo, você poderá acessar um artigo da CADTH (agência canadense reguladora na área de saúde, Canadian Agency for Drug and Techologies in Health) bastante completo sobre o tema.

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Problemas de segurança e outras desvantagens

Além do preço, a principal desvantagem dos aparelhos de RM de 3,0T é a insegurança em relação a dispositivos metálicos implantados.

GE Discovery-MR-750 3T 600x400

Como a tecnologia de 3,0T é relativamente recente, a maioria dos dispositivos simplesmente não foi testada para utilização com os campos magnéticos de 3,0T e com a radiofrequência (RF) de tais sistemas, que é de 128MHz (em comparação aos 64MHz de um sistema de 1,5T).

Como isso afetará o seu negócio?

Se o seu centro de diagnóstico tem (ou espera ter) como público alvo uma população com uma faixa etária mais elevada (com uma maior probabilidade de ter marcapasso, endopróteses e outros dispositivos implantáveis), é provável que você não conseguirá atender a alguns dos seus pacientes caso não possua outro equipamento com menor campo magnético.

A sua equipe de técnicos deverá verificar no dia a dia se o paciente possui algum dispositivo implantado e, em caso positivo, verificar se tal dispositivo já foi validado para utilização com imãs de 3,0T.

Outro ponto diz respeito à realização de exames de RM em gestantes. Pelo que temos notícia, ainda não há nada conclusivo sobre o tema, mas a recomendação dos principais órgãos é de que o encaminhamento de gestantes para exames de RM de 3,0T seja debatido e definido entre o médico solicitante, o médico radiologista e a própria paciente à luz dos riscos e benefícios do procedimento.

Por fim, vale considerar também os custos envolvidos. Além do preço de aquisição – que pode chegar a quase o dobro do valor de equipamentos de 1,5T -, deve-se considerar na conta também gastos mais altos com manutenção, incluindo com troca de peças e com serviços de assistência técnica.

Colocando tudo na ponta do lápis

É inegável que um equipamento de 3,0T poderá proporcionar um diferencial para o seu serviço de imagem em relação aos seus concorrentes, com um grande apelo de marketing. No entanto, é importante colocar tudo na ponta do lápis para não fazer a escolha errada.

Se os seus exames exigirem menor qualidade de imagem ou se seu volume de pacientes não for tão grande, provavelmente você conseguirá atender todas as suas necessidades com um equipamento de RM de 1,5T com bobinas multicanais. Com isso, você terá um gasto menor tanto na compra, quanto na manutenção do aparelho.

Por outro lado, se seu centro diagnóstico realizar exames de maior complexidade ou se possuir um volume alto de pacientes, então a qualidade das imagens e a velocidade de escaneamento de um equipamento com 3,0T poderão fazer a diferença em seu serviço de imagem.

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