A manutenção de equipamentos de diagnóstico de imagem em centros de radiologia é um dos fatores críticos de sucesso na prestação dos serviços. Além de impactar na excelência do atendimento aos pacientes, ela pode ainda influenciar no sucesso financeiro da sua clínica de saúde.

Conhecer as melhores práticas do mercado é uma boa maneira de evitar problemas no futuro. Por isso, entrevistamos o Engenheiro José Eduardo Lopes da Silva, Diretor de Engenharia Clínica e Infraestrutura do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. Como especialista na área, ele compartilhou a sua experiência e dicas valiosas para clínicas e hospitais de todos os portes. 


Quer aprofundar sobre o assunto? Então baixe nosso e-book e  entenda quando deve realizar a manutenção preditiva, preventiva ou corretiva, suas peculiaridades e importâncias.


STAR – Como é realizada a manutenção de equipamentos em centros de diagnóstico, em especial para aparelhos de tomografia, ressonância magnética e raio-x?

José Eduardo – A manutenção destes equipamentos médicos é sempre recomendável que seja feita com os fabricantes. São eles que têm acesso às peças de reposição em menor tempo possível. Mas não só isso, eles têm acesso às atualizações e também toda a parte de documentação dos equipamentos. Eu recomendo que você sempre faça a manutenção com um representante exclusivo de marca ou que faça com algum distribuidor autorizado que tenha capacitação para atendimento das máquinas.

O que é importante dentro da manutenção é a cobertura, ou seja, que tipo de contrato que você vai ter com o fornecedor. O mais importante é que os seu contratos sejam direcionados para você ter os equipamentos funcionando o maior tempo possível. Quando você vai contratar a manutenção de um equipamento você tem quatro modalidades básicas:

  1. Não tem contrato de manutenção: você opera o aparelho e quando quebrar você chama alguém para consertar. Essa é sempre a opção mais custosa e a que dá mais prejuízo. Pensando em clínicas de radiologia, o equipamento tem que ficar o maior tempo possível disponível funcionando para ter a melhor rentabilidade.
  2. Contrato de manutenção sem peças: consiste na visita do técnico engenheiro para realizar a manutenção preventiva, porém se houver a necessidade de troca de peças, o valor de reposição não está previsto. O técnico vai enviar um orçamento adicional para que a clínica possa avaliar e obter os recursos para repor a peça.
  3. Contrato de manutenção com peças intermediário: esse contrato atende a manutenção preventiva e também a corretiva. Para equipamentos de imagem, algumas peças ficam de fora desses contratos. Por exemplo: tubo de raio-x, transdutor de ultrassom, algumas bobinas de ressonância magnética.
  4. Contrato de manutenção com peças full: manutenção e todas as peças estão incluídas nesta modalidade.

STAR – Para centros de diagnóstico que estão longe de grandes centros urbanos, as modalidades de manutenção de equipamento também são as mesmas?

José Eduardo – Sim, também acontece. Porém, o preço vai variar de acordo com a dificuldade logística. Cabe ao gestor da clínica avaliar qual é o impacto da máquina parada no funcionamento dela. Às vezes, quanto ela vai dispender de um contrato de manutenção, talvez não cubra o prejuízo ou vice-versa. É importante pesar quanto custa a perda financeira por não faturar exames em relação às opções de contratos existentes.

STAR – Qual tipo de manutenção é mais recomendada para centros de diagnóstico: manutenção preditiva, preventiva ou corretiva?

José Eduardo – As três são necessárias. A manutenção corretiva é aquela que não esperamos, o problema acontece e você precisa executá-la. Quanto mais manutenção preventiva eu faço, menos corretiva eu vou ter. Eu não vou eliminar, mas eu vou reduzir.

A manutenção preventiva é uma manutenção que você faz de tempos em tempos e você substitui peças antes que elas quebrem, é uma inspeção preventiva.

A manutenção preditiva é o melhor dos mundos, é o melhor cenário. Porém, nem sempre temos tecnologia disponível para isso. Ela é capaz de prever como e quando uma falha vai acontecer, possibilitando a troca de peça no momento exato.

A melhor manutenção que existe é aquela que é um bom balanço dos três tipos de manutenção. Não ter muita manutenção corretiva, o mínimo possível, ter um plano de manutenção preventiva estabelecido e ter um plano de manutenção preditiva para os itens mais críticos.

STAR – Quais são os ítens mais críticos de serem avaliados na manutenção preditiva?

José Eduardo – Tubos de equipamentos de raio-x e tomógrafo é sempre muito importante. É bom avaliar também a parte de cabine técnica da Ressonância Magnética, avaliar o compressor, o cold head, a mesa de tratamento.

STAR – Quais os principais itens a serem monitorados em um aparelho de tomografia, ressonância magnética e raio-x? Com que frequência?

José Eduardo – O ponto principal de ser observado, principalmente nos aparelhos de raio-x e tomografia, é que toda parte legal esteja sendo atendida: os laudos radiométricos, os laudos de fuga radiométrica para os ambientes e depois o controle de qualidade de imagem. Existe uma Portaria específica, que é a Portaria 453 do Ministério da Saúde, que regulamenta quais testes devem feitos e em qual periodicidade. O mais importante é estar atento a isso. A ANVISA inclusive tem alguns manuais disponíveis na internet, onde existe a periodicidade e quais itens devem ser verificados. Esse é o ponto de partida.

Depois, você terá os testes de controle de qualidade para equipamentos como o ultrassom. A Ressonância Magnética não está dentro da Portaria 453, mas você pode fazer controle de qualidade com ela também. Para isso, você usa um aparelho chamado phantom. O phantom é um dispositivo no qual você consegue ver as resoluções mínimas possíveis de um equipamento de imagem. Para verificar contraste, profundidade, espessura, de maneira que se consiga saber se as dimensões mostradas no laudo são compatíveis com a realidade.

Agora quanto à manutenção preventiva de tomógrafo, o tubo é um item muito importante; o gerador de tensão; a parte de atualização dos consoles; as atualizações de segurança. Hoje as máquinas são conectadas, então você precisa ter cuidado com a questão de vírus na parte dos consoles de manutenção. É também comum problemas com reconstrutor, então é importante saber se você tem um bom estabilizador, um bom nobreak que proteja o seu reconstrutor e o seu console.

Na parte de raio-x o tubo é muito importante, o gerador de radiofrequência, a parte de manutenção mecânica da estativa. Bateria de raio-x portátil é basicamente isso.

STAR – Quais são os cuidados básicos para a manutenção destes equipamentos?

José Eduardo – Com relação ao raio-x o mais importante é você verificar se o seu controlador automático de exposição está funcionando, se os geradores estão calibrados; a lubrificação da parte mecânica.

Para raio-x, tomografia e RM, é importante realizar todos os testes de qualidade de imagem, usando um corpo de prova que seja confiável.

STAR – Uma equipe de manutenção deve ser composta por profissionais que estejam habilitados com quais experiência e conhecimentos técnicos?

José Eduardo – Na hora de contratar um serviço de manutenção, o profissional que você vai contratar deve ser registrado no CREA, em geral são engenheiros, mas é possível encontrar tecnólogos também. O fundamental é que tenham formação em engenharia na área de tecnologia.

Além disso, a capacitação deve ser feita nos fabricantes. Eu recomendo que esses profissionais tenham sido capacitados pelos fabricantes dos equipamentos. É fundamental que a equipe técnica tenha feito um treinamento na fábrica.

A equipe precisará ainda, ter o material técnico, como manuais de serviço, chaves de manutenção. É preciso ter isso para que se tenha condições de prestar o serviço.

STAR – De que forma a manutenção dos equipamentos de diagnóstico de imagem pode influenciar no melhor desempenho dos centros de radiologia?

José Eduardo – O primeiro deles é que pode causar uma baixa produtividade do serviço da clínica, ou seja, o equipamento que quebra e fica muito tempo parado acaba perdendo a capacidade produção dele. É o ponto principal.

Segundo, se esse equipamento também quebra com muita frequência você gera o cancelamento de agenda de exames com os pacientes. Uma coisa é o equipamento que fica muito tempo sem funcionar. Outra é o equipamento que quebra com frequência e causa cancelamento, gerando transtorno para o paciente.

Como a manutenção pode ajudar: fazendo com que haja uma baixa frequência de quebra através da manutenção corretiva e que ele seja consertado brevemente. Uma máquina sempre vai parar, mas a boa manutenção pode fazer com que o serviço opere com a máquina pelo maior tempo possível e quando ela quebrar, pare por pouco tempo.

STAR – Você poderia dar uma dica valiosa para centros radiológicos de pequeno e médio porte quanto à manutenção de equipamentos?

José Eduardo – Primeiro: todos os usuários devem ser treinados. Todo mundo que opera o equipamento deve receber treinamento e qualificação para usar ele corretamente. Hoje, em torno de 40% dos chamados de manutenção que recebo, não há problema no equipamento. Isso significa que está relacionado com o mau uso do equipamento pelo operador.

Outra dica é criar check-list diário de verificação para saber se a mesa está posicionada, se os indicadores dos leds estão funcionando, se não está faltando água gelada no compressor da ressonância magnética, ou seja, criar um check-list de cuidados básicos.

Cuidar da parte de utilidades. Ou seja, não adianta ter um equipamento muito bom se a energia elétrica que eu recebo é ruim, se eu tenho queda de energia a todo instante ou muita oscilação. Se a temperatura e o ar condicionado onde o equipamento opera é inadequado, porque tudo isso vai impactar na quebra do equipamento.

Além de você ter um bom contrato de manutenção, de ter treinamento do pessoal de operação, de ter uma check-list de operação diária de itens de usuário é preciso cuidar do ambiente e das utilidades.

Conheça mais sobre José Eduardo Lopes da Silva

Com mais de 22 anos de experiência na área de engenharia clínica, é engenheiro eletrônico de formação e pós-graduado em Gestão de Projetos. Atualmente é Diretor de Engenharia Clínica e Infraestrutura do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, sendo responsável por 6 áreas no Hospital: Arquitetura e Obras, Engenharia de Manutenção, Engenharia Clínica, Hotelaria, Segurança e RIS/PACS.

Baixe nosso e-book e entenda quando deve realizar a manutenção preditiva, preventiva ou corretiva, suas peculiaridades e importâncias. Reunimos em um material orientações e dicas valiosas de especialistas na área de medicina, engenharia e gestão.

Ficou com alguma dúvida ainda sobre manutenção ou gostaria de saber mais a respeito? Escreve para a gente. Basta clicar aqui.