Fique por dentro dos principais pontos a serem considerados na compra do seu tomógrafo.

Com tantos modelos e fabricantes no mercado, pode ser difícil escolher o equipamento de tomografia computadorizada (TC / tomógrafo) ideal para o seu centro diagnóstico. Essa decisão vai depender de diversos fatores, incluindo:

  • Os tipos de exames que você pretende realizar;
  • O que as instalações físicas do seu serviço de imagem conseguem acomodar;
  • As exigências regulatórias que o aparelho e suas instalações precisarão atender.

Ok. Você deve estar pensando em como isso vai te ajudar, certo?

É simples: nesse post vamos procurar fazer um apanhado sobre os primeiros dois fatores, cobrindo as principais características dos tomógrafos e como elas irão afetar o funcionamento do seu serviço de imagem.

Tomógrafo, TC, Telerradiologia, Laudos a distância

E se você também está pesquisando para comprar um aparelho de ressonância magnética, não deixe de conferir esse post que traz os principais pontos que você deve analisar para tomar a sua decisão. Depois nos conte o que achou!

Número de Cortes (Slices)

Um dos pontos mais importantes da sua decisão de compra é o número de cortes do tomógrafo. Em linha gerais, ele representa o número de seções transversais de duas dimensões capturadas em uma única rotação do portal (gantry – suporte circular do aparelho de tomografia). Quando tomadas em conjunto, essas seções permitem criar uma construção tridimensional da região anatômica que será estudada.

Atualmente são comuns os tomógrafos Duoslice e Multislice (ou seja, multidetectores), que a cada disparo da ampola de raios-x adquirem múltiplas fatias da imagem. É normal encontrar aparelhos de 2, 4, 8, 16, 32, 40 ou 64 canais, mas há também aqueles considerados “premium”, com 128, 256 ou 320 canais.

Por que isso é importante?

Porque conforme aumenta o número de cortes, o tempo do exame diminui. Depois de um certo número de cortes, um equipamento de tomografia computadorizada pode ser usado para praticamente qualquer procedimento que você desejar.

No entanto, antes de sair como um doido para comprar um TC com o maior número de canais que conseguir, saiba que as tecnologias mais avançadas podem ser proibitivas ou desnecessárias para alguns tipos de exames. A diferença de preço entre um tomógrafo com 16 canais e um de 64 canais, por exemplo, pode não valer a pena se você não planeja realizar exames cardíacos ou exames avançados de neurorradiologia.

Em resumo, com um maior número de canais temos:

  • Pontos positivos: possibilidade de realizar exames mais complexos e possibilidade de atender um volume maior de pacientes (devido ao menor tempo de exame), com maior potencial de faturamento do seu serviço de imagem;
  • Pontos negativos: não são necessários (apesar de oferecerem melhor qualidade de imagem) se você não planeja realizar exames cardíacos, dinâmicos ou que exijam maiores velocidade de aquisição, e apresentam custos mais altos de compra e manutenção (tecnologia é mais nova).

Os modelos mais encontrados

Analisando detalhadamente os modelos mais encontrados:

  • 16 canais: realizam os procedimentos mais comuns a baixo custo.  Não realizam exames que requerem maior velocidade de aquisição.  São os últimos a receber atualizações de tecnologias de administração de dose.
  • 20 a 40 canais: ainda possuem limitações em relação a tipos de exames que podem ser realizados. Não suportam exames cardíacos.
  • 64 canais: tem sido os mais utilizados no mercado norte-americano pela sua flexibilidade. Realizam todos os tipos de exames de rotina e alguns de “maior complexidade”.
  • Premium (128 canais para cima): realizam todos os exames de “maior complexidade”, permitindo redução de artefatos e redução da dose de radiação através de funcionalidades mais avançadas. Por serem mais novos, são mais caros e envolvem maiores custos de treinamento e manutenção.

No final das contas, para decidir sobre o número de cortes do seu tomógrafo você deverá pesar fatores, como a “complexidade” dos exames que serão realizados, a quantidade de pacientes que se precisa atender e o seu orçamento.

Otimização / Redução de Doses

Uma das questões mais estudadas no campo da tomografia computadorizada é a otimização das doses de radiação, isto é, como garantir que os técnicos de radiologia conseguirão obter imagens precisas com o mínimo de radiação possível. Toda essa pesquisa fez com que as fabricantes de equipamentos desenvolvessem algumas ferramentas que ajustam a dose para o mínimo necessário.

E por que isso é importante? Porque a legislação (Portaria SVS/MS nº 453/98 e outros) determina a quantidade máxima de exposição de pacientes a radiação durante exames radiológicos. Assim, é importante estar atento se o aparelho de tomografia que seu centro diagnóstico irá comprar possui essas ferramentas de controle.

Abaixo trazemos um resumo sobre as mais importantes:

  1. Controle de Exposição Automático: essa ferramenta de otimização é comumente chamada de controle de exposição automática (automatic exposure controls – AEC), mas cada fabricante tem o seu próprio nome. Ela possibilita que o ajuste dinâmico da dose para níveis ótimos durante a realização do exame conforme, por exemplo, a espessura, a posição e a composição da anatomia do paciente em cada corte.
  1. Programa de Reconstrução Iterativa: essa ferramenta de pós-processamento é normalmente chamada de reconstrução iterativa (iterative reconstruction – IR) e altera a forma como as imagens de TC são renderizadas, permitindo uma qualidade superior com menos radiação. Ela reduz a exposição de forma indireta, sem aumentar ou reduzir a exposição durante o exame em si.

Cada fabricante dá um nome diferente a essas funcionalidades. Para facilitar a sua vida, fizemos um quadro resumo com os principais fabricantes:

FabricantePrograma de Reconstrução IterativaControle de Exposição Automático
GEASiRAutomA / SmartmA
PhilipsiDoseDoseRight
SiemensSAFIRE / IRISCARE Dose 4D
ToshibaAIDRSUREExposure

 Sistema de Resfriamento

Outro ponto a se considerar na escolha do seu tomógrafo é o método de resfriamento. Como o gantry do equipamento possui diversos componentes elétricos, ele aquece rapidamente e requer atenção tanto dos fabricantes quanto dos próprios serviços de imagem.

Para evitar problemas de superaquecimento, há dois sistemas principais de dissipação de calor: resfriamento a ar e resfriamento a água.

  1. Resfriamento a base de ar: dependem de ventilação através de entradas externas no portal. Algumas vantagens:
    • Não é necessário se preocupar com a qualidade da água;
    • Menos manutenção preventiva; e
    • Não há necessidade de comprar e manter uma unidade de refrigeração externa.
  1. Resfriamento a base de água: dependem de unidade de resfriamento externo conectada a uma fonte de água próxima. Algumas vantagens:
    • Não requer instalações adicionais de ventilação para a sala;
    • Menos preocupação com a umidade e a temperatura do ambiente;
    • Mais silenciosos (tornam a sala mais confortável); e
    • Portal fica mais limpo.

E como isso afetará o seu serviço de imagem? Pense na sala que você pretende utilizar. Ela consegue acomodar um sistema a base de água?

Você deve avaliar qual seriam os ajustes necessários, envolvendo desde o encanamento até o seu sistema de refrigeração (deve ser capaz de remover o excesso de calor gerado pelo TC).

Gostou do post? Abordaremos as exigências regulatórias que o aparelho e suas instalações precisarão atender num próximo post. Assine nossa newsletter e acompanhe!