Escolher o aparelho de ressonância magnética ideal para o seu serviço de radiologia pode ser uma tarefa bastante complicada. São tantos fabricantes, opções e funcionalidades que é comum que os responsáveis pela compra decidam por um aparelho que não é o mais indicado para o seu uso.

Como resultado, ou os exames são feitos a um custo maior que o necessário (quando se escolhe um aparelho de ressonância mais caro) ou, o que é pior, são realizados com uma qualidade que prejudica o diagnóstico e, com isso, a própria reputação do serviço de radiologia.

Escolher o melhor aparelho

Pensando nisso, preparamos este artigo para radiologistas e gestores que procuram tomar uma decisão mais informada. Vamos abordar alguns dos principais pontos que devem ser considerados nessa escolha, incluindo intensidade e características do campo, além de fazer alguns breves comentários sobre as principais marcas do mercado.

Mas antes de começar: se você também estiver em busca de um aparelho de tomografia, sugiro a leitura do nosso guia para escolha do seu tomógrafo. Depois nos conte o que achou!


Tão importante quanto a escolha do melhor aparelho de ressonância magnética, é a manutenção do equipamento. Para saber mais sobre o assunto, clique aqui e conheça os cuidados e boas práticas para centros de radiologia.


Intensidade do Campo Magnético – 3 Tesla x 1,5 Tesla x 1 Tesla (e outros)

O campo magnético de um aparelho de ressonância é algo extremamente poderoso. Para se ter uma ideia, em 2013 pesquisadores nos Estados Unidos estavam trabalhando em um aparelho de ressonância com campo de 11,75 Teslas – na época o mais poderoso do mundo – que era capaz de erguer um tanque de guerra de 60 toneladas!

Deixando a parte física (um pouco) de lado, o fato é que a intensidade do campo magnético de um equipamento de ressonância é, em geral, diretamente proporcional à qualidade das imagens por ele geradas e ao tempo de realização do exame.

Atualmente o mais comum é encontrar aparelhos com campos de 3T, 1,5T e 1T, além de alguns abaixo de 1T que são abertos ou de uso em extremidades corporais.

Para facilitar, analisaremos abaixo cada uma dessas categorias:

  • 3 Teslas: salvo por alguns modelos de uso em pesquisas, os equipamentos de 3T são aqueles que possuem a maior potência magnética encontrada no mercado.

Eles são muito bons para exames que exigem captura de imagens detalhadas minuto a minuto, como em certos casos de neuro (espectroscopias e angiografias) e musculoesquelético (joelhos, ombros e articulações).

No caso de angiografias, a alta qualidade das imagens por vezes permite até mesmo que se dispense a realização de procedimentos diagnósticos intervencionistas com cateteres.

Por outro lado, como desvantagem é importante lembrar da questão da segurança em relação a dispositivos implantados. Em relação a esse ponto, é importante que o técnico sempre verifique o modelo do dispositivo implantado e se alguém o testou com um imã de 3T, conforme afirma Tobis Gilk (diretor de segurança de RM da Mednovus, empresa norte-americana especialista no tema) nesta matéria.

Um outro ponto negativo é a escassez de informações que se tem sobre os possíveis efeitos adversos de ressonâncias de 3T sobre pacientes (em comparação com 1,5T), principalmente para pacientes grávidas.

  • 1,5 Telas: são o “carro-chefe” dos aparelhos de ressonância magnética. Um equipamento de 1,5T é suficiente para a maioria dos exames realizados na rotina médica. A menos que o foco do seu centro diagnóstico seja neurorradiologia, ressonâncias de 1,5T fazem praticamente todos os exames que você precisará por um valor bem mais baixo.
  • 1 Tesla: costumam ser mais antigos (a maioria foi fabricada antes de 2002). Em geral, possuem designs de campo pouco eficientes, menos funcionalidades e geram imagens com qualidade inferior. Apesar disso, há algumas áreas que utilizam bastante esse tipo de equipamento, como a veterinária.
  • Abaixo de 1 Tesla: a maioria dos aparelhos nessa categoria possuem campo aberto ou para extremidades corporais. Eles possuem a menor intensidade de campo magnético e, portanto, a menor qualidade de imagem.

Campos abertos e fechados

Essa distinção se refere ao formato do campo magnético, que acaba tendo algumas implicações para os exames em si. As possibilidades são:

  • Campos fechados: os aparelhos de campo fechado são os mais comuns no mercado. São aqueles em formato de donut, normalmente com uma abertura entre 60 e 70 cm.

A qualidade das imagens em sistemas de campo fechado costuma ser superior àquelas obtidas em campo aberto. No entanto, como você já deve estar cansado de saber, são comuns casos de pacientes com claustrofobia durante a realização do exame ou, ainda, de pacientes com graus avançados de obesidade que acabam não se acomodando no aparelho, impossibilitando o exame.

Ressonância, Campo Fechado, 3.0T, Telerradiologia

Exemplo de aparelho de campo fechado (Siemens Allegra 3.0T)

Ressonância, Campo Fechado, 1.5T, Telerradiologia

Exemplo de aparelho de extremidade (GE Optima 430S 1.5T)

  • Campo Aberto: esses aparelhos são projetados para acomodar pacientes com claustrofobia e/ou com grau avançado de obesidade. Ao ganhar em conforto, acabam tendo como contrapartida uma menor intensidade do campo magnético e, consequentemente, uma qualidade um pouco inferior das imagens (apesar dos fabricantes estarem aprimorando os equipamentos ano após ano).

Ressonância, Campo Fechado, 1.0T, Telerradiologia

Exemplo de aparelho de campo aberto (Philips Panorama HFO 1.0T)

Obviamente, você terá que levar em conta as suas necessidades de qualidade de imagem.

Bobinas de Gradiente

As bobinas de gradiente impactam de forma significativa a qualidade das imagens e são um dos principais pontos a serem considerados na aquisição de um aparelho de ressonância magnética.

Em resumo, são bobinas eletromagnéticas (imãs) menores localizados dentro da RM, com potência para provocar variações lineares no campo magnético que permitem, dentre outras coisas, a localização espacial do sinal de RM nos eixos ortogonais X, Y e Z.  Cada fabricante dá às suas bobinas um nome diferente (GE: SmartSpeed / HiSpeed / EchoSpeed; Philips: Master / Pulsar / Nova; Siemens: Ultra / Sprint / Quantum; Toshiba: XGV / AGV).

Por que isso é importante? Porque embora todos os nomes designem o mesmo componente, nem todos funcionam da mesma forma.

Os gradientes são caracterizados por duas importantes métricas: amplitude e velocidade de inclinação (slew rate). Sem entrar nos detalhes da física:

  • Amplitude: é uma medida da velocidade em que o campo magnético muda em uma dada distância, sendo expressa em militeslas por metro (mT/m)
  • Velocidade de inclinação (slew rate): é uma medida do tempo necessário para que o sistema saia do zero ao pico de amplitude, sendo expressa em Teslas por metro por segundo (T/m/s).

Um exemplo prático: as bobinas do Ingenia 1.5T da Philips (amplitude de 45 mT/m e slew rate de 200 T/m/s) proporcionam imagens mais nítidas e cortes mais finos que as bobinas do Brivo MR355 1.5T Inspire da GE (amplitude de 33mT/m e slew rate de 120 T/m/s).

Embora a qualidade das imagens seja maior, lembre-se que quanto maior a amplitude e a velocidade de inclinação, maiores os custos envolvidos. É fundamental que você avalie se esses custos adicionais fazem sentido para o volume e os tipos de exames do seu centro diagnóstico.

Relação Sinal-Ruído (Signal-to-Noise Ratio – SNR)

Para muitos, a relação sinal-ruído é o principal parâmetro que determina a qualidade da imagem de uma ressonância magnética. Uma baixa relação SNR significa que o contraste entre diferentes tecidos pode ser obscurecido pelo ruído exterior. Uma alta relação SNR permite obter imagens com uma resolução espacial melhor (voxels menores e mais detalhes) ou imagens mais rápidas através de técnicas de aquisição paralela.

Isso é importante porque escaneamentos mais rápidos ajudam a reduzir os borrões causados pelos movimentos de respiração dos pacientes, como casos de exames torácicos, em que há mais ar do que tecido.

Nessas situações vale observar com atenção a relação SNR e os sistemas de RF (abaixo).

Sistemas de Radiofrequência (RF)

O sistema de radiofrequência (RF) corresponde ao número de canais independentes que podem receber sinais das bobinas de RF. Um maior número de canais aumenta o SNR e permite a utilização de técnicas de aquisição paralela.

Agora que você já aprendeu sobre a escolha do melhor aparelho de ressonância magnética, é preciso saber como é realizada a manutenção de equipamentos em centros de diagnóstico, bem como os tipos de manutenção não é mesmo? Então, para saber mais:

Clique aqui e conheça os cuidados e boas práticas para a manutenção de equipamentos de diagnóstico de imagem.

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