Avaliar de forma eficiente o desempenho dos médicos radiologistas é um desafio para o qual ainda não foi encontrada a solução perfeita. Em um artigo recente publicado no Journal of the American College of Radiology, os autores discutem os defeitos das formas existentes de aferição de performance de radiologistas, e também refletem sobre possíveis novas soluções para a questão.

Qual a função de um sistema de avaliação de desempenho individual dos radiologistas? A premissa é que os pacientes devem ser protegidos de radiologistas com performance individual abaixo do padrão de qualidade do grupo em que atua. De alguma forma, as informações obtidas com essa avaliação podem ser utilizadas para corrigir o desempenho destes indivíduos com performance abaixo do ideal, como cursos, congressos e treinamentos.

Método peer-to-peer (“peer review”)

O método de análise de performance do tipo peer-to-peer (ou “peer review”) consiste na avaliação de uma amostra aleatória de laudos emitidos por um médico radiologista por um outro colega radiologista revisor, utilizando sistemas de pontuação como o RADPEER do Colégio Americano de Radiologia (ACR). Este método é popular, todavia sabidamente sofre de vieses de amostragem e do revisor, e tem algumas limitações.

É necessária a análise de um número muito grande de laudos para ser possível constatar quaisquer diferenças significativas entre radiologistas diferentes através do peer-to-peer. Além disso, ele acaba sendo ainda mais limitado devido à existência de ampla variabilidade interobservador na interpretação dos exames, algo inerente da especialidade médica da Radiologia.

Uma meta-análise publicada em 2018, por exemplo, que analisou 12676 exames, encontrou discrepância de interpretações entre observadores que variou entre 20 e 40%, incluindo 20% para achados mais relevantes, e 18% para alterações com potencial para mudar a condução clínica do caso.

E o peer learning?

O peer learning é uma alternativa ao peer-to-peer review e tem o objetivo de permitir o “aprendizado entre os pares”, como seu próprio nome reflete. Ao invés de focar na mensuração da quantidade de erros que cada radiologista individual comete, o peer learning se concentra em como grupos de radiologistas podem compartilhar conhecimento e aprender a partir de exemplos de laudos excelentes ou subótimos.

Em linhas gerais, o método do peer learning foi concebido para cultivar e reforçar um ambiente de aprendizagem em grupo que seja propício para o desenvolvimento e aperfeiçoamento da equipe. Algumas das ferramentas que utiliza são o peer feedback e discussões de casos dentro do grupo.

Entretanto, devido a sua própria concepção, o peer learning serve para aprimorar a performance da equipe médica, mas não serve como método para mensuração de performance individual. Dessa forma, idealmente é necessário complementar o peer learning com outras metodologias de avaliação de performance individual para orientar e validar os esforços de melhoria.

Outras metodologias propostas

Em 2018, o Colégio Americano de Radiologia (ACR) propôs o uso de 11 mensurações específicas para avaliar o desempenho de um médico radiologista. Todos as 11 são focadas na linguagem utilizada nos laudos ou no uso de TC de baixa dose em determinadas situações, com o objetivo de verificar se o radiologista atua em conformidade com as melhores práticas atuais.

Mais uma vez, todas estas 11 métricas são “medidas de processos” ao invés de “medidas de desfechos clínicos”. Enquanto uma medida de processo avalia o desempenho de um radiologista, uma medida de desfecho clínico verifica o impacto do desempenho de um radiologista.

O problema de todos os métodos de avaliação atuais

Os resultados aferidos com as metodologias disponíveis hoje – como o peer-to-peer ou as 11 medidas propostas pelo ACR – são focados na avaliação do “processo” de elaboração de laudos médicos, ao invés de se concentrarem na avaliação do eventual impacto clínico dos diagnósticos. Ou seja, mesmo que um radiologista tenha um bom escore na avaliação de seus laudos por seus pares, não significa que seus laudos levaram a condução clínica correta dos pacientes. Com exceção da Radiologia Mamária, os dados e desfechos clínicos não são considerados na avaliação de performance dos radiologistas.

Se os métodos atuais têm limitações, o que fazer?

Qual é o caminho para o desenvolvimento de metodologias de avaliação individual dos radiologistas que considere o impacto clínico de seus laudos?

Os dados disponíveis nos prontuários eletrônicos dos pacientes poderiam ajudar pesquisadores a desenvolver métricas que tornem possível mensurar o impacto clínico de um radiologista individual na condução de um paciente específico. Para que isso se torne realidade, pode ser que novas tecnologias tenham que ser empregadas, tais como algoritmos de inteligência artificial para processar as inúmeras informações disponíveis nos laudos radiológicos e dados clínicos disponíveis nos prontuários eletrônicos (análise de big data).

Além disso, pode ser necessária uma reavaliação dos médicos radiologistas sobre como se relacionam e estão conectados aos outros médicos e profissionais da saúde, e também aos pacientes, para desenvolver um padrão mais “clinicamente significativo” de atuação dentro dos hospitais e centros de imagem. O desenvolvimento dessa nova forma de atuação poderá reforçar o fato de que os radiologistas não exercem suas atividades em um vácuo entre pacientes e médicos solicitantes.

Na STAR Telerradiologia, o monitoramento da qualidade dos laudos dos médicos radiologistas é realizado através de peer-to-peer. Além disso, é aplicada a metodologia de peer learning para estimular o aperfeiçoamento constante da equipe. Todo esse esforço tem por finalidade garantir a entrega de um serviço de telerradiologia já consagrado como o de mais alta qualidade do país. 

Além do serviço de telelaudo, a STAR é pioneira no mercado, oferecendo também o serviço de peer review a distância. Do que se trata? Nossos melhores médicos radiologistas realizam análise por amostragem de laudos radiológicos emitidos em diversos hospitais e centros de imagem do país, utilizando a metodologia preconizada pelo ACR RADPEER, unindo forças com estas instituições e atuando de forma alinhada a nossa missão de difundir uma Medicina Diagnóstica de qualidade a todo o país.

Ficou interessado em aperfeiçoar a qualidade e implementar o peer review no centro de radiologia em que trabalha? Nós podemos ajudá-lo. Vamos conversar!