4 Razões pelas quais Inteligência Artificial não Substituirá os Radiologistas

Inúmeros artigos foram escritos nos últimos anos sobre a substituição de radiologistas pela inteligência artificial. A maioria deles prevê a extinção da profissão, da mesma maneira que ocorreu a dos dinossauros no período Jurássico. De acordo com artigo publicado na revista Radiology: Artificial Intelligence, os radiologistas não devem ter medo de serem substituídos pela máquina, desde que estejam abertos para abraçar a inteligência artificial e suas novas ferramentas e fluxos de trabalho, se adaptando e se atualizando continuamente.

1 – Os radiologistas já viveram isso antes

radiologista sem uso de inteligência artificial

De acordo com Langlotz, não é a primeira vez que os radiologistas enfrentam uma grande ameaça como essa. Sistemas de detecção computadorizados tiveram muita popularidade na década de 90. Mas pesquisas sugerem que não houve impacto significativo na precisão diagnóstica dos radiologistas.

“O fervor recente com algoritmos de Inteligência Artificial deveria levar à retrospectiva e reflexão sobre falhas de tecnologias passadas – e como a inteligência artificial vai sobreviver às suas promessas”, indicou Langlotz. “Os algoritmos de Inteligência Artificial de hoje tiveram liberação regulatória baseado em sua performance em amostras pequenas e em um pequeno número de organizações na área da saúde. Talvez um aumento incremental de precisão desses métodos de inteligência artificial possam reduzir achados falsos-positivos e expor o efeito do alarme falso, mas a generalização e amplitude desses algoritmos para a diversidade de práticas da radiologia ainda permanece uma pergunta aberta.”

2 – Radiologistas sabem como se adaptar e tomar o comando da situação

radiologistas em atuação

A história, ele acrescentou, é cheio de momentos quando a especialidade estava supostamente ameaçada – ameaças que nunca se concretizaram. Muitos pensavam que a tecnologia de ressonância magnética iria substituir radiologistas, porque os médicos solicitantes iriam imediatamente saber tudo o que precisavam sem explicações adicionais. No entanto, o que realmente aconteceu, foi que os radiologistas acabaram aprendendo muito mais sobre a ressonância magnética – suas forças e suas fraquezas, e isso ajudou a especialidade a provar ainda mais o seu valor. Uma repetição da mesma sequência de eventos está acontecendo agora, com radiologistas liderando na Inteligência Artificial e mais uma vez demonstrando que a especialidade pode se sobressair e virar a mesa.

3 – Um algoritmo preciso não é a mesma coisa que um radiologista assertivo

radiologista dominando a inteligência artificial

“Nós frequentemente comparamos algoritmos de Inteligência Artificial a profissionais da radiologia baseados só na habilidade de identificar doenças únicas num espaço amostral pequeno de doenças,” comentou Langlotz. “essas comparações simplificam demais o que os radiologistas fazem. Um catálogo completo contendo uma lista de diagnósticos radiológicos possui cerca de 20 mil itens para desordens e observações de imagens e mais de 50 mil relações causais.”

Ainda de acordo com Langlotz, algoritmos que podem ajudar a diagnosticar condições comuns já são um grande passo, mas um radiologista está sempre olhando para inúmeras condições ao mesmo tempo enquanto também ficando de olho em qualquer coisa suspeita que possa aparecer nos resultados de um paciente.

“A Inteligência Artificial é impressionante para identificar cavalos,” Langlotz acrescentou, “mas está muito longe de reconhecer zebras.”

4 – O piloto automático não substituiu os pilotos

a inteligência artificial e piloto de avião

Uma das melhores metáforas para como a inteligência artificial vai impactar a Radiologia, ainda de acordo com Langlotz, é como o piloto automático de aviões impactou os pilotos de avião. O piloto pode ligar o piloto automático dentro do cockpit, permitindo que ele cuide de tarefas repetitivas. Porém, e se o sistema possuir algum tipo de problema ou defeito, ou se existir uma tempestade no horizonte? O piloto está lá de prontidão, disponível para assumir o comando quando necessário.

De uma maneira geral, concluiu Langlotz, a inteligência artificial está destinada a mudar profundamente a prática da radiologia – mas certamente ainda haverá a necessidade de se ter radiologistas.

“A noção de que a inteligência artificial está destinada a nos substituir está muito na moda hoje”, ele comentou. “Enquanto somos levados por esta onda da última bolha de inteligência artificial, ‘A inteligência artificial vai substituir os radiologistas?’ é uma pergunta errada. A resposta correta deve ser: os radiologistas mais treinados e com maior aptidão para usar a inteligência artificial vão substituir os radiologistas que a negarem.”

O artigo completo foi publicado na Radiology: Artificial Inteligence da RSNA: Radiological Society of North America e pode ser encontrado em: https://pubs.rsna.org/doi/10.1148/ryai.2019190058.